Brasil: Bancada do PTB vai se unir para propor nome alternativo ao de Cristiane


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Para convencer o presidente do PTB Roberto Jefferson a recuar da nomeação da deputada Cristiane Brasil para o Ministério do Trabalho, petebistas vão argumentar que o desgaste pode atrapalhar inclusive a candidatura dele a deputado federal por São Paulo. As informações foram divulgadas pela Coluna do Estadão, do jornal Estado de São Paulo. Segundo o jornal O Globo, diante do aumento do desgaste, que se arrasta há um mês, a bancada do PTB na Câmara pretende se unir para pressionar a direção da legenda, comandada pelo presidente nacional Roberto Jefferson, pai da ministra sub judice, a indicar outra pessoa para a pasta, de preferência um nome que represente a bancada. A reportagem detalha que os deputados vão se reunir na tarde de terça-feira (6), na liderança do PTB, para deliberar sobre o tema. Na avaliação dos parlamentares, a pressão pela desistência do nome de Cristiane deve vir de forma coesa, para evitar retaliações de Roberto Jefferson, que é quem controla o Fundo Eleitoral, que será fundamental para custear as campanhas dos candidatos nas eleições de outubro.

Ainda de acordo com o jornal, segundo cálculos da bancada, o PTB tem direito, para as eleições deste ano, a cerca de R$ 75 milhões da verba do fundo, e cada parlamentar poderá receber até R$ 2,5 milhões para arcar com os custos de suas campanhas. Por isso, acreditam que todo o cuidado é pouco na hora de expor a insatisfação com a insistência no nome de Cristiane Brasil.

Em entrevista à Folha, no fim de semana, Roberto Jefferson afirmou que não desistirá da nomeação de sua filha após a divulgação de que é investigada por suspeita de associação ao tráfico de drogas durante a campanha eleitoral de 2010. “Não vamos desistir da indicação, tem que levar até o fim a votação no Supremo Tribunal Federal. Minha filha não vai sair de bandida”, afirmou Jefferson.

Ele chegou a admitir que há desgaste, mas que é preciso “segurá-lo”. “Claro que há desgaste, mas vamos segurar até o fim”.

O inquérito foi aberto pela Polícia Civil do Rio em 2010 a partir de uma denúncia anônima segundo a qual pessoas que trabalhavam para ela teriam pago traficantes de Cavalcanti, bairro da zona norte do Rio, para ter “direito exclusivo” de fazer campanha na região. A informação foi publicada pelo jornal O Estado de São Paulo. O deputado estadual Marcus Vinicius (PTB), ex-cunhado da parlamentar, também é citado no inquérito.

Naquele ano, Cristiane ocupava um cargo de secretária municipal na gestão de Eduardo Paes (PMDB) e não era candidata, mas apoiava a candidatura de Marcus Vinicius.

Eles são acusados de dar dinheiro a traficantes de Cavalcanti, bairro da zona norte do Rio e um dos redutos eleitorais da deputada, para ter “direito exclusivo” de fazer campanha na região.

O inquérito ficou parado até 26 de janeiro deste ano, quando foi encaminhado para o Ministério Público Estadual, que por sua vez o repassou ao Ministério Público Federal, já que Cristiane ganhou foro privilegiado ao ser eleita deputada federal, em 2014.

A investigação deve ser encaminhada nesta segunda-feira (5) à PGR (Procuradoria Geral da República), em Brasília.

Cristiane Brasil já foi condenada por dívidas trabalhistas, e a Justiça Federal em Niterói (RJ) suspendeu sua posse sob o argumento de que ela não atende ao requisito de moralidade administrativa para o cargo, previsto na Constituição.

O presidente Michel Temer insiste no discurso de que vai esperar a palavra final do STF sobre a nomeação de Cristiane –a presidente da corte, ministra Cármen Lúcia, impediu a deputada provisoriamente de tomar posse e o tribunal deve decidir em breve sobre o assunto.

A tese de Temer e de seus principais auxiliares é a de que, apesar do desgaste gerado ao governo, a prerrogativa de nomear e exonerar ministros é do presidente da República e que, se sucumbirem, abrem espaço para qualquer juiz de primeiro grau impedir novas indicações na Esplanada.

Jefferson articulou o apoio da bancada do PTB na Câmara para a reforma da Previdência, principal bandeira do governo e que pode ser votada em fevereiro. A indicação de Cristiane foi uma forma de Temer retribuir o esforço do pai da deputada.